O Baile de São Gonçalo é um bailado popular de caráter religioso dançado em louvor ao santo português São Gonçalo do Amarante. Conhecido também como Cordão ou Jornada para São Gonçalo, é realizado em várias regiões do Maranhão, em cada uma das quais assume características distintas.

A dança ocorre dentro de casas ou em tendas reservadas a festas religiosas, e geralmente é motivada por promessa ou voto de devoção de alguém. Na frente do salão é colocado um altar com uma imagem de São Gonçalo e um arco de bolo (arco enfeitado com bolos de tapioca e frutas). Durante todo o ritual, o dono da festa permanece sentado numa cadeira ao lado do altar.

 

Para a dança, formam-se dois cordões paralelos, um de homens e outro de mulheres, com igual número de pessoas.  Entre eles, existe um espaço para a movimentação – um passo para a direita, outro para a esquerda. Cada casal segue em direção ao altar, à frente do qual presta a sua reverência ao santo. Em seguida volta  para o cordão, dançando, cantando e recitando versos, acompanhados pelos instrumentos musicais: geralmente violino e viola ou violão, conjunto que pode variar de um grupo a outro (o que ouvimos aqui tem violão e sanfona).   Seguem-se nove jornadas para São Gonçalo e uma para São Benedito. Ao final, todos se colocam diante do altar, oferecem flores ao santo e,  junto com todos os circunstantes, rezam uma ladainha oferecida a São Gonçalo.

 

Note-se que a primeira parte desta peça, um recitativo lento em tempo livre,  a aproxima bastante do caráter da peça anterior, a solfa da Folia do Divino de S. Luiz do Paraitinga. Segue-se uma segunda parte mais rápida,  em compasso ternário. O canto a duas vozes em terças paralelas que aqui ouvimos, característico da polifonia vocal portuguesa, é muito frequente em tradições musicais populares de todo o Brasil, como a Folia de Reis, a Dança de S. Gonçalo e a Congada.

 

Lucimara Correa, com colaboração de Paulo Dias. In: DURANTE, H., CORREA, L.   De São Luiz a São Luís, 2007 (Livro-CD)

 

Fonte: Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho