“Lauro foi em Cururupu, numa festa. Negócio de São Sebastião. Por lá eles batem negócio de um terecozinho deles, lá, e ele gravou, levou um gravadorzinho, gravou umas doutrinas, lá. Ele veio com isso… Chegou aqui, ele combinou com a senhora que morava com ele, disse assim: -“vamos fazer uma brincadeira sobre essas doutrinas, vamos fazer em pares, um homem, uma mulher, um homem, uma mulher”, e formaram quinze pares (…), foram formando a música em cima das letras, que a música delas não são essas, de lá… Eles botaram as músicas em cima das letras de lá. Aí ele botou o nome Baião Cruzado, foi lá em Cururupu, pediu permissão pro dono – ele disse que podia fazer. Daí foi como ele sugeriu, Baião Cruzado, e tá até hoje”.

 

“O Baião é uma dança que vem desses terreiros de Mina. As cantigas, as doutrinas são de lá, agora, a música, eles que já botaram aqui (…) há uns trinta e cinco anos”.

 

“No Baião Cruzado tem um boi, pequeno, tem dois vaqueiros, tem um preto velho, uma preta velha (…) a gente apresenta isso tudinho. A gente chega nos arraiais, todo mundo fica em fila, homem pra um lado, mulher pra outro. Cordão, sabe? Aí eu vou pra lá, canto, eles vêm. Daí, homem passa pra lá, mulher pra cá, ficam um De um lado, outro do outro (…) atravessam de um lado pro outro, sempre trocando. Primeiro eu chamo o preto velho, a preta velha, eles ficam dançando, depois eu chamo o boizinho, no final do boizinho a gente despede.”

 

Depoimento de Dona Maria da Paes no contexto da produção do Livro-CD “De São Luiz a São Luís” (2007), organizado por Henry Durante e Lucimara Correa