Uma […} grande importância da presença das Caixeiras nos cultos festivos ao Espírito Santo se faz notar nos Cortejos que durante muito tempo tomaram conta das estradas. Embora hoje sejam mais raros, os cortejos de desobriga[1] ainda reúnem grupos formados por mães, avós, primas, amigas, ou Caixeiras jovens em formação, em viagens de dois a três meses a pé pelos interiores, para tirar jóia[2].

Hoje essas viagens são mais raras e costumam acontecer para pagamento de promessas. Já tiveram o papel importante de permitir que o financiamento das festas fosse compartilhado com todos os devotos que vivem longe dos centros nos quais elas se realizam.

Sabe-se, no entanto, que o suporte material dos festejos nunca se constitui na única razão das viagens de desobriga. Com sua visita, as Caixeiras renovam os laços dos devotos que vivem em povoados e áreas rurais distantes com o Culto do Divino. As pessoas esperam-nas para receber as bênçãos e pagar as suas promessas. E elas, por sua vez, rompem com o cotidiano e se colocam no mundo das infinitas possibilidades dadas pela sua devoção, em viagens ainda hoje realizadas parcialmente a pé pelas estradas, em algumas regiões.

Durante esse tempo, podem acontecer encontros entre grupos de Caixeiras, onde desafios em versos improvisados ou disputas com versos de pique ou procuras podem levar um grupo – que não consegue seguir respondendo –  a perder a Santa Crôa que carrega.

[1] Pagamento de promessas.

[2] Recolher donativos para a realização das festas

 

Marise Barbosa. In: DURANTE, H. e CORREA, L.   De São Luiz a São Luís, 2007 (Livro-CD)