Embora seja aceito que os festejos organizados ao Divino Espírito Santo estejam presentes no Brasil desde o século XVIII, há pesquisadores que defendem a existência da crença no Divino, em nossas terras, desde a chegada dos primeiros portugueses, já no século XVI. Entre esses pioneiros estariam padres missionários, além de simpatizantes do milenarismo difundido por Joaquim Di Fiori e implantado em Portugal, em 1323, pela Rainha Isabel de Aragão.

 

O culto original ao Divino, celebrado na época de Pentecostes, quando o Espírito Santo de Deus se manifestou aos homens, encontra oposição entre o clero devido ao seu caráter messiânico. Por  instaurar uma sociedade sem hierarquias nem classes, a “Época do Espírito Santo”, finalmente chegada, é a época da liberdade espiritual absoluta, tempo de fartura e partilha de bens materiais, representada na abundância de alimentos presente na festa, do mesmo modo que o Divino espalha seus dons entre os homens. A devoção ao Divino também é marcada por uma relação direta com o santo, por meio de promessas e adorações domiciliares, a exemplo dos impérios, montados em casa, onde a celebração pode ocorrer de forma livre, pois, como se diz, “o Divino não é santo de igreja”.

 

Dos Açores, cujo isolamento geográfico e cultural contribuiu para manter as antigas  características, a Festa do Divino veio e espalhou-se por praticamente todo o território brasileiro, adaptando-se às realidades locais sem perder, no entanto, seus eixos simbólicos, como a posse dos cargos do Império, envolvendo geralmente crianças que se sucedem nas funções de imperador, imperatriz, mordomos e bandeirinhas, entre outros.

 

Henry Durante