Os índios da etnia Fulni-ô vivem no município de Águas Belas, em Pernambuco, numa aldeia de 11.500 hectares, localizada a 500 metros da sede da cidade. Sua população é de aproximadamente 3.600 índios.

Eram conhecidos, antigamente, como Carijó ou Carnijó e não se conhece o tempo da sua existência.

 

A origem do nome Fulni-ô é muito antiga. Significa “povo da beira do rio” e está relacionada com o Rio Fulni-ô, o qual corre ao longo da aldeia de Águas Belas.

 

O povo fulni-ô é bilíngüe, mas, apesar de adotarem hábitos não-indígenas, como, por exemplo, nas vestimentas, não perderam sua identidade, principalmente do ponto de vista linguístico, sendo os únicos indígenas do nordeste brasileiro que mantêm viva a sua língua nativa a Yaathe (ou Yathê).

A língua Yaathe, que significa “nossa boca, nossa fala, nossa língua” é aprendida pelos integrantes da etnia no convívio doméstico, com os familiares.

 

Além da aldeia, a comunidade possui na reserva um outro local de moradia, onde habitam durante três meses por ano por ocasião dos rituais do Ouricuri.

 

Até os anos 1930, as casas dos Fulni-ô eram construídas exclusivamente com a palha do ouricuri (planta da família das palmeiras). Hoje, a aldeia é composta por habitações individuais de taipa ou alvenaria, semelhantes às das populações pobres do Nordeste brasileiro.

 

Os índios vivem do artesanato da palha do ouricuri, comercializado nas feiras livres da região, da agricultura de subsistência e de alguma criação de bovinos e suínos. Ainda praticam a caça e a pesca, mas essas atividades estão quase em extinção, devido aos desmatamentos e à poluição dos rios da região.

Suas manifestações culturais incluem a dança e a música. As danças dos Fulni-ô são inspiradas em vários animais e aves, sendo o toré a mais tradicional. Existem também a cafurna, uma dança resultante da influência de outros grupos e uma conhecida como coco de roda, dançada com estilo próprio e que tem origem na cultura dos negros. As músicas das danças são cantadas em português e yaathe.

Usam como instrumentos musicais, o maracá, o toré e a flauta. Tocam também instrumentos não-indígenas, tais como clarinete, pistom, trombone, violão, guitarra.

 

Ouricuri

 

O Ouricuri é um retiro religioso secreto, realizado anualmente nos meses de setembro, outubro e novembro, na Aldeia-mãe, localizada em Águas Belas, em Pernambuco. Neste ritual, não é permitida a entrada de não-índios (mesmos os que têm qualquer tipo de parentesco com os Fulni-ô), pois é considerado pelos fulni-ô um espaço sagrado. Durante esse período, os membros da etnia se mudam para a outra aldeia, também chamada Ouricuri, distante cerca de seis quilômetros do local onde habitam, levando quase tudo que têm, incluindo animais de criação.

 

O que ocorre no Ouricuri é um mistério para os que não são da etnia. Nem mesmo as crianças revelam o que se passa no evento. Sabe-se que durante esse período os homens dormem em local reservado, o Juazeiro Sagrado, ao qual as mulheres não podem ter acesso. As rivalidades são esquecidas. As relações sexuais e a ingestão de bebidas alcóolicas são rigorosamente proibidas.

 

Com informações de Avani Florentino Fulni-ô