“O samba caipira de Quadra renasceu com a minha família, porque o meu bisavô, avô do meu pai, que se chamava Dezidério José de Andrade - nascido em 1850 na cidade de Avaré e que desde menino era empregado na fazenda de escravos do senhor José de Campo, no bairro da Estância, hoje um Bairro do Município de Quadra -... lá meu bisavô trabalhava de carreiro. Transportava lenha, café e outros cereais com o seu carro de boi.

Nesta época, meu bisavô convivia muito com os escravos nas senzalas. Todos os sábados, meu bisavô ia até as senzalas para assistir os batuques que os escravos tocavam e cantavam. E foram os escravos que ensinaram meu bisavô a cantar o batuque que hoje é conhecido como samba caipira. Isso foi por volta de 1870, e lá pelos anos de 1900 foi que meu avô ensinou meu pai, Benedito de Dezidério de Andrade e meus tios Cornélio de Andrade e Brasilio Mariano Leite a cantar o samba caipira.
Os sambeiros eram Cornélio de Andrade, Benedito de Andrade, José Rozeno, Brasilio, Mariano, Salvador de Andrade, Benedito Pinto e Castía, sendo que esses dois últimos foram escravos.

Meu pai, Ditão, e Cornélio formavam uma dupla que fazia muito sucesso na região, com suas modas de romance de livros e também modas tiradas da Escritura. Depois isso tudo parou.

Foi ai que eu, João de Ditão, comecei a cantar e não deixei o samba caipira morrer.

Meu pai me ensinou a cantar samba. Meus primeiros parceiros de samba foram José Soares, Joaquim Brasilio, João Batista Leite e Paçoca. Depois destes, eu já tentei ensinar uns trinta sambeiros que já cantou comigo. Hoje eu defendo a bandeira do samba caipira com José Soares, Francisco Soares, Francisco Domingos e minha irmã Julieta, mais o João Paçoca.

E, assim, nós andamos fazendo as apresentações por muitos lugares”.

João de Ditão (João José de Andrade, 1944-)

Encarte do CD Completo download

  • Fotos: Adriano Ávila