O samba do Cururuquara é uma expressão coreográfico-musical de origem afro-brasileira, que reúne sambadores e sambadoras com os objetivos, sobre-tudo, de cultivar suas ancestralidades e praticar devoção a São Benedito, assim como também comemorar o fim da escravidão. De acordo com os relatos dos descendentes do antigo sambador Leandro Manoel de Oliveira (1860 - 1940), a primeira Festa do Cururuquara foi realizada no ano de 1888, após a  Abolição da Escravatura, quando os negros, livres a partir daquele momento, foram à pequena capela de Santa Cruz existente no local e lá festejaram com seus bumbos por quatro dias e quatro noites. Em frente à capela foram plantadas oito palmeiras, dando ao local o nome de Largo das Palmeiras, onde se realiza a festa anualmente, no dia 13 de maio ou data próxima.

O bairro do Cururuquara, pertencente a Santana de Parnaíba, concentrou parte do fluxo de mão de obra escravizada trazida para a região durante os séculos XVIII e XIX decorrente de fatores tais como o declínio das plantações de café do Vale do Paraíba Fluminense e Paulista e, anteriormente, das áreas produtoras de açúcar no Nordeste. Tais fatos, somados aos efeitos da Lei Eusébio de Queirós, de 1850, proibindo o ingresso de escravos no Brasil, fizeram aumentar o tráfico ilegal interno para as fazendas de café da região chamada de “Oeste paulista”, em cidades como Campinas, Piracicaba, Rio Claro, entre outras.

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