O município de Piracicaba é considerado por muitos pesquisadores como um dos berços da cultura caipira, e nessa perspectiva a presença negra, também representativa localmente - graças ao fluxo migratório de negros bantos trazidos para o antigo “Oeste paulista” durante os séculos XVIII e XIX pelo fluxo de mão de obra escravizada causado por fatores tais como o declínio das plantações de café do Vale do Paraíba Fluminense e Paulista e anteriormente das áreas produtoras de açúcar no Nordeste - tem um destaque especial ao ser a mantenedora de tradições que podem ser enquadradas em um universo próprio, uma tradição afro-caipira, pois além de manter as suas bases originárias na cultura africana recriada no Brasil, também conserva elementos comuns a outras manifestações do universo caipira, próprio do interior do estado de São Paulo, mais especificamente da região do Médio Tietê.

É neste vasto conjunto cultural que temos ainda em atividade o Batuque de Umbigada, ou Caiúmba, a Congada e o Samba Lenço, sempre dividindo espaços com a Viola Caipira, a Catira e, em grande escala, com o Cururú, já que muitos cantadores desse gênero musical também são praticantes do Batuque e do Samba.

No entanto, dentre essas manifestações do universo afro-caipira, o Samba Lenço era o gênero de maior invisibilidade no espaço público local já havia algumas décadas, embora sobrevivesse na memória de alguns núcleos familiares, transmitido pela oralidade, sem a prática corporal da dança.  Foi assim que, a partir de uma busca intensa, conseguimos em parceria com outros ativistas culturais concretizar um sonho antigo, o de tornar o Samba Lenço novamente acessível para mais pessoas da comunidade negra piracicabana e demais interessados.   

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