Toda festa de Pirapora que tinha, o pessoal de Parnaíba se reunia em carros de boi e vinha até Pirapora enfeitar a igreja do padroeiro Bom Jesus e participar. E tinha também pessoal que vinha de São Paulo. Eles passavam a semana lá, às vezes até o mês, porque tinha os lugares chamados quartos, os quartos de Pirapora. Esses quartos existem até hoje. E inclusive dois deles, que eram casas maiores onde ficavam os negros, passaram a ser chamados de barracões.

Por volta de 1958, Pirapora do Bom Jesus desmembrou de Santana de Parnaíba e ficou independente, virou cidade. Nessa fase, a igreja percebeu que a festa dos negros, o samba de bumbo, estava atraindo mais pessoas em agosto do que a própria festa religiosa. Aí, como os barracões eram da igreja, os padres mandaram demolir. Alegaram que os barracões estavam caindo e, assim, deu uma esfriada na festa do samba de bumbo, mas ainda continuou, que tinha o Bar do Coringão, do pessoal do Cordé... Eles se reuniam lá e faziam os encontros. Os negros continuaram se encontrando, mas sem ponto fixo. Eles escolhiam um lugar e passavam... Continuou o samba, que nunca acabou”.

Márcio Risonho

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