A proposta deste projeto de mobiliário é parte do Projeto Acervo das Tradições  do pesquisador Henry Durante, o qual busca promover o acesso e a autonomia das comunidades de tradição popular em relação à guarda , preservação e difusão dos registros audiovisuais de sua cultura.

 

Os objetivos do mobiliário
  1. Integração com as características de cada comunidade;
  2. Ser um objeto útil que apareça pela funcionalidade e pelo desenho, mas que desapareça quando contextualizado, tão neutro que não interfira com as características do local, camuflando-se.
 
Apresentação do Projeto
  1. Guarda de acervo (CDs, DVDs, impressos) e equipamentos para registro áudio visual: armários e nichos;
  2. Suporte para os meios de reprodução e pesquisa: bancos, cadeiras, mesas de consulta e baias para leitores de mídias digitais;
    Apresentação do Projeto
  3. Funções tradicionais de sentar, descansar, socializar, apoiar a consulta ao acervo,
  4. Apoiar a proteção do acervo formado principalmente por CDs, DVDs, impressos e o acondicionamento de equipamentos
    eletrônicos e de audiovisual.

 

O Projeto Acervo das Tradições promove a ação de gerar a autonomia das comunidades em relação à gestão de seus acervos, e neste sentido, a proposta do mobiliário replica este mote, propondo 3 eixos de partida, adaptando a execução das peças à diversidade das realidades de cada comunidade.

A partir da observação dos modos de organização dos grupos que buscam preservar as tradições populares na música, na dança e na festividades, proponho uma organização a partir das seguintes características:
- rurais e quilombolas,
- urbanos e centrais,
- urbanos e periféricos.
- rurais e quilombolas,
- urbanos e centrais,
- urbanos e periféricos

São categorias que organizam apenas o acesso ou a disponibilidade de recursos materiais, matérias – primas e tecnologias para produzir as peças de mobiliário.

Nas comunidades rurais ou distantes dos centros urbanos a sugestão para a execução do projeto do mobiliário é partir do conhecimento e do know how existente, adaptando o projeto no que for possível às condições locais.

A princípio, a execução partiria de peças delgadas de madeira serrada ou lavrada (a depender dos recursos disponíveis) como sarrafos, travados em X ou na diagonal. Estas armações devem ser revestidas por placas de outra madeiras, definindo superfícies com alguma uniformidade, formadas por madeiras disponíveis na comunidade e arredores.

Na composição das superfícies o aproveitamento de material que usualmente é descartado como madeirite, forros, aglomerados, madeira de móveis descartados, carrocerias é bem vindo. O material aplicado para a composição das superfícies deve ser lixado e tratado com verniz fosco, a depender da madeira utilizada.

 

Os móveis podem ser executados em chapas de OSB de 15 e 18 mm ou em chapas de MDF cru de 15 e 18 mm com ou sem aplicação pontual de superfícies laminadas, parafusados e colados. Nesta situação, a matéria prima está disponível em grandes atacadistas nos centros urbanos.

O tempo de execução é menor que na situação anterior. Workshops práticos de manuseio do material podem ser incorporados à fase de execução do projeto. Fragmentos e pedaços de madeiras diversas encontradas na cidade que possam ser recicladas podem ser incorporadas pontualmente em algumas
peças, customizando-as.

Aqui, é possível trabalhar com os materiais da situação anterior disponíveis em atacadistas. Se no contexto da ação por exemplo, agrega-se a parceria ou a montagem de uma oficina-escola de marcenaria, é possível incorporar outras matérias primas disponíveis de baixo custo.

A reutilização de madeiras descartadas pela logística de fluxo de mercadorias em grandes centros como São Paulo como os pallets é uma oportunidade de matéria prima a baixo custo. Há um comércio de pallets de segunda mão com valores acessíveis.

Note-se que o trabalho com esse material é mais exigente pois trata-se de um material resistente ao contrário da família dos compensados e aglomerados, exigindo ferramentas mais robustas.

Inicialmente as peças foram direcionadas para a execução em comunidades isoladas, que contariam sobretudo com recursos locais de matérias primas e ferramentas.
Ao longo do desenvolvimento do projeto, observamos que organizações urbanas, vinculadas às culturas tradicionais, como pontos de cultura, também se interessavam pela proposta e poderiam se
tornar parte do público alvo.

A partir de então, passei a considerar o uso de outras matérias primas, o que não foi conflitante com os modelos desenvolvidos , ao contrário, os materiais industrializados se adaptam e são idealizados para diversas aplicações, entre elas, as formas básicas e retas.

O mobiliário foi desenvolvido partir de 2 módulos
Módulo 1 – base / banco e família das cadeiras
Módulo 2 – base / banco/cadeira/nicho
A busca pelo módulo foi a busca pela forma e pela execução de um modelo simples e neutro, que não exigisse alto grau de conhecimento técnico ou ferramentas
sofisticadas.

Confira todos os módulos  AQUI   Projeto construtivo dos módulos   AQUI