O Projeto Acervo das Tradições tem foco na auto-gestão do acervo documental de comunidades tradicionais, gerando ações de memória de forma compartilhada.

 

Principais objetivos
  • Registrar, produzir e divulgar de forma compartilhada acervo audiovisual sobre cultura popular tradicional brasileira com ênfase nas tradições performáticas afro-brasileiras, caipiras e caiçaras com foco maior na Região Sudeste do Brasil.
  • Desenvolver com as comunidades herdeiras das tradições material audiovisual na forma de publicações tais como CDs e Livros-CD b) Disponibilizar acervo para consulta pública a íntegra dos registros sonoros e demais publicações resultantes do mapeamento dotando-as e capacitando-as para gerir centros de memória locais.

Histórico

Os principais problemas enfrentados para a preservação e difusão das culturas populares e tradicionais referem-se menos à sua produção – haja vista o vasto calendário de festas populares, eventos religiosos e demais eventos de naturezas diversas - do que sua documentação, apropriação do acervo pela comunidades herdeiras e sua difusão, rompendo sua invisibilidade nos meios hegemônicos.

O Projeto existe há mais de dez anos, a partir das ações continuadas de registro dos pesquisadores do projeto, em sua maioria dedicados aos campos da etnomusicologia, edição e produção audiovisual e realizadas em conjunto com comunidades de vários estados brasileiros tais como Maranhão, Minas Gerais e São Paulo.

Os principais eixos de pesquisa são as manifestações coreográficas-musicais de matriz afro-brasileira conhecidas genericamente como “batuques” (entre eles o Jongo valeparaibano, o samba de bumbo do Oeste Paulista, o candombe mineiro e o batuque de umbigada), além dos cortejos do catolicismo popular (Congadas e Moçambiques), os cantos devocionais (Folia de Reis, Dança de São Gonçalo, Queimação de Palhinha) e os bailes (Fandango Caiçara, Ciranda) e algumas das comunidades com as quais o projeto desenvolve ações continuadas ao longo desses dez anos são o Jongo do Tamandaré, Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Jatobá, Batuque de Umbigada de Tietê, Piracicaba e Capivari, Congada de Santa Ifigênia de Mogi das Cruzes, SP; Jongo Mistura da Raça de São José dos Campos, SP; os grupos de samba rural paulista (samba de bumbo) Vovô da Serra do Japi, Samba do Cururuquara e Grito da Noite (Santana de Parnaíba), Samba de Roda de Pirapora do Bom Jesus, SP, Samba de Lenço de Piracicaba, SP, Samba Caipira de Quadra-SP e  Samba de Roda “Dona Aurora” de Vinhedo-SP; os grupos de Fandango “Esperança”, “Viola de Ouro” e “Vida Feliz” de Cananéia, SP; e o contador de histórias tradicionais Geraldo Tartaruga, de São Luiz do Paraitinga, SP.

 

As comunidades são registradas in loco, ou seja, em seus ambientes habituais de reunião/ensaio. A opção de levar uma unidade de estúdio móvel às comunidades para realizar as gravações ao vivo in loco dá-se em função do respeito aos modos e à experiência dos próprios grupos envolvidos, de modo a obter um resultado musical mais aproximado da performance vivenciada em contextos tradicionais. A escolha do repertório cabe inteiramente  aos grupos. Posteriormente o material bruto é editado, mixado, masterizado e  retornado integralmente em 2 cópias às comunidades, para que estas possam fazer uso da forma que desejarem em projetos futuros. As cópias do Acervo em 2 vias destinam-se 1 para consulta pública e 1 para preservação, ambas em mobiliário específico, projetado sob encomenda pelo projeto (ver anexos – Mobiliário) de modo a possibilitar a interação, apropriação e salvaguarda do acervo documental produzido ao longo dos tempos tanto por meio do retorno do material de pesquisadores quando pelo material produzido pela própria comunidade. São realizadas oficinas de catalogação e o “Mutirão da Memória” nas comunidades, a fim de se unificar o acervo local reunindo material registrado por outros pesquisadores que se encontram dispersos. As cópias deste material (fotos, vídeos, áudios, recortes de jornal, etc) a partir de sua digitalização e organização passa a compor o centro de memória local, acondicionado no mobiliário denominado “caixa da memória” e leitores digitais. De cada item do acervo são feitas duas cópias (1 para memória e 1 para circulação). Os originais são devolvidos aos seus portadores. Em seguida, há o processo de experiência estética e produção coletiva dos CDs, de forma participativa, envolvendo jovens e mestres. Parte do material é disponibilizada para consulta na página ProjetoAcervodasTradiçoes no Facebook para consulta via "stream" (audios) e fotos. Objetiva-se a construção de um portal com maior capacidade e ferramentas de busca avançadas. São selecionadas fotos para os encartes, a partir dos acervos comunitários e das fotos produzidas pela equipe do projeto. São produzidos 1.000 exemplares da cada produto (CD ou Livro-CD, tiragem esta destinada às comunidades (80%) e distribuída nas escolas e bibliotecas locais.

 

Além de estar contribuindo atualmente para o andamento dos processos de registro como patrimônio imaterial de expressões tais como o Samba Rural Paulista e o Fandango ao ser retornado e apropriado pelas comunidades, estas ações resultaram em um importante acervo audiovisual reunindo centenas de horas em áudio e vídeo e aproximadamente 10.000 fotografias. Este acervo tem gerado mais de uma dezena de publicações (ver anexo) e centros de memória locais.